Bons tempos…

Hoje, vivemos bons tempos…

Em outras épocas, tive a imensa dor de ver meus pequenos filhos passarem fome. Nessa mesma ocasião tive a tristeza de vê-los morrer e nenhuma lembrança guardar.

Em outros tempos tive que os ver indo à guerra, de saber que iriam perecer em campo aberto, onde nem o inferno, com todo seu fogo, consegue abarcar tamanha barbárie.

Como escrava, não foi possível acalentá-los…

Perder os filhos é a maior dor que uma mãe pode sentir… Sei o que é ser escrava, ver os filhos tomados à força, sei o que é os ver indo à guerra, sei como é perder o que é mais caro em todas as formas.

Como rainha, fui forçada a os deixar cedo. O poder e a fortuna terrena quase sempre não permitem a felicidade. Alguns se voltaram contra mim, com outros não pude sequer conviver.

Vidas de felicidade relativa eu tive, mas não como rainha, muito menos como humilde serva. Os extremos proporcionam muita tristeza, apesar de também trazerem profunda sabedoria.

Mas hoje são bons tempos. Hoje os reencontrei. Meus filhos amados, que outrora combateram, foram feridos, foram mortos, sofreram como eu… Hoje os vejo relativamente felizes, sem preocupações, em terras abençoadas, vivendo suas vidas.

Hoje me apresento como simples serva, sem nome, sem enfeites… Dedico-me a ensinar a humildade e a passar a força necessária para enfrentar os percalços da vida.

O Nosso Senhor andou com os mais pobres da terra… Dividiu sua luz com todos e morreu como um reles malfeitor… Não faz sentido se adornar para segui-lo, muito menos acreditar que se faz necessário alguém pretensamente instruído para traduzir sua magnifica palavra.

Se você puder ouvir os conselhos de uma simples escrava velha, sem se importar com a origem, correção gramatical ou qualquer outro adorno, livre de preconceitos, então talvez possa entender os mais profundos segredos do além.

A mulher sem nome.

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